As migalhas e os milhões do forró

Os festejos juninos do 'país do forró' começaram a todo vapor. Justamente nesta época é que a cultura sergipana, em sua maioria, deveria ter espaço de destaque nas comemorações por todo o Estado, mas a expressividade dos nossos artistas tende a ser abafada pelos holofotes que destacam outros.

Nada contra, claro, pois atrações como Calypso, Calcinha Preta, Aviões do Forró e afins mobilizam um grande público onde quer que se apresentem, mas valorizá-los mais do que Amorosa, Clemilda e Sergival, por exemplo, é negar que aqui o forró (o de verdade, frise-se) é característica genuína.

Além das apresentações que pipocam na orla de Atalaia e no Mercado Municipal, várias outras manifestações artísticas que identificam sobremaneira a nossa cultura ocorrem mais discretamente, pois os grandes investimentos tendem, apenas, a sustentar atrações que pouco - ou nada - têm a ver com nosso povo.

É uma pena, por exemplo, que a Rua de São João, de tempos áureos dos festejos, esteja relegada ao esquecimento e às migalhas do poder público. As quadrilhas, se não fossem os concursos - com destaque para o da TV Sergipe - financiados por empresas privadas, pouco saberíamos delas. Sim, há apresentações no Arraiá do Povo e no Forró Caju, mas será que a divulgação é a mesma? Quantos se lembram da última vez que assistiram a um grupo desses?

A disparidade dos gastos é incrível. Enquanto nas duas grandes festas que ocorrem na capital, Governo e Prefeitura gastaram mais de 10 milhões de reais, a Rua de São João não recebeu nem 10% disto (até então 8 mil). E eu duvido que pagaram mais de 50 mil para um único artista sergipano. Quando pagam, né? Porque ano passado, em Areia Branca, Amorosa só receberia depois que cantasse, mas os 'nomes de peso' receberam bem antes, tenho certeza.

O país do forró não têm este título por acaso. A festa pode ser de todos, mas entregar-se aos estrangeiros é passar a ser colônia, expulsar São João de casa.

FOTO: MARCOS LISBOA (encontrada no Google).

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