A diversidade e a categorização da imprensa

Nos últimos anos ao se pensar em veículos da imprensa voltados ao público gay tinha-se a mesma resposta: G Magazine.

Inovadora por atrair para as suas páginas ensaios de nu de celebridades (algo único no mundo) e modelos famosos, a publicação de cunho erótico perdeu sua hegemonia para com essa fatia de público por outras revistas surgidas entre o ano passado e 2008.

Junior, DOM (2007) e Aimé (2008) apareceram com a proposta de desmitificar caricaturas homofóbicas e atrair, além de anunciantes que se afastavam da G magazine pela erotização dispensada, um perfil de leitor diferente do que já era explorado.

Voltadas, principalmente, ao homem que é gay, rico, bonito, bem sucedido e discreto, nas suas páginas predominam matérias sobre comportamento, moda, saúde, fitness, cultura, gastronomia, decoração e etc. Ah, sim, há os ensaio fotográficos, mas estes restringem-se a modelos usando sungas, e pronto!

Junior pertence ao grupo Mix Brasil, um conglomerado de mídia voltado ao público GLS. Lançada em Setembro do ano passado, já é considerada a Capricho Gay por se voltar ao público teen.

"A Junior tem essa questão, está pegando um público muito jovem e um público mais velho também. O nome da revista se explica aqui dentro, Junior é o teu filho, é o filho que o gay não tem, então é um nome de todo homem, mas ele dá essa conotação de ser jovem também", define André Fischer, proprietário do grupo, em entrevista à Revista Imprensa.

No entanto, DOM (lançada em novembro) e Aimé (em abril deste ano) se voltam ao homem gay mais maduro. Esta última, por exemplo, pretende ser conhecida como a “Veja Gay”. Inspirações "abrilescas" à parte, outro fenômeno interessante trazido por essas publicações é o aproveitamento de artistas que talvez não posariam nus em seus editoriais. São exemplos os atores: Rodrigo Hilbert, Rômulo Arantes Neto e Cauã Reymond.

Mesmo surgindo em um momento oportuno, essas revistas pretendem apenas estimular o consumismo, esquecendo-se de que os gays ainda são uma minoria carente de vários direitos. Como imprensa, deveriam também levantar debates sobre questões importantes para a ‘classe’.

O objetivo de acabar com preconceitos pode acabar gerando outros. Se antes a G Magazine traduzia o comportamento sexual dos gays, essas podem criar a imagem de homens fúteis que se importam apenas com beleza e dinheiro. Categorizar é importante. Rotular é demasiado dispensável.

1 Desabafo(s):

Davi Arloy disse...

Assim como temos a VOGUE que apresenta mulheres seminuas e todo mundo acha um luxo e temos a SEXY que é putaria escancarada. E assim vamos que vamos =)

http://calcajeansehavaianas.blogspot.com/