O caso de agressão sofrida pela equipe do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, quando se infiltraram em uma favela para escrever reportagens especiais, trouxe à tona o debate acerca dos limites do jornalismo no cumprimento de seu papel na sociedade. Em texto escrito para o Observatório da Imprensa, Sylvia Moretzsohn faz uma abordagem bem crítica.
Diz ela: " o estabelecimento de limites é uma questão elementar de ética, mas costuma ser mal visto por quem exerce o jornalismo, provavelmente em razão de uma concepção equivocada sobre o papel que esse profissional desempenha: o jornalista é um mediador entre os fatos e o público, e por isso se credencia a estar onde esse público não pode estar para obter e divulgar as informações de que esse público necessita".
Ainda para a autora, tal comportamento por parte dos profissionais deve-se ao 'compromisso com a verdade' e a idéia mistificada que se tem do jornalista como 'super-herói', quando este se disfarça com outra identidade para cumprir a sua 'missão'.
De fato, os profissionais de O Dia não agiram da forma mais recomendável, afinal de contas, além de ter sido ilegal e antiética, o risco de vida era eminente. Por pouco não ocorreu crime semelhante ao de Tim Lopes, mas sempre vale a pena ressaltar, acima de tudo, os limites da profissão, que com certeza não devem ultrapassar o direito à vida. Além de agir no combate às tentativas de intimidar as liberdades de imprensa e expressão, as organizações que tratam disto devem ter atenção a essas práticas, para que se evitem outras situações piores.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 Desabafo(s):
Postar um comentário