Hoje ocorreu algo curioso e atípico no meu dia. Um grande evento ocorreu na UFS, universidade onde estudo e estagio (na assessoria de comunicação, para ser mais exato).
O grande, fica pela repercussão, pois era a formatura da primeira turma no Brasil - em grande maioria - de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Engenharia Agronômica.
Fui escalado pelo meu chefe para cobrir o evento. Dias antes, o Estadão publicou uma matéria - meio ruim, por sinal - sobre o assunto. Enfim, lá estava eu, no meio daquele frisson e olhando para cada rosto, vendo ali mais que apenas a realização de um objetivo.
Era a concretização de um sonho, e a certeza de que, mesmo sendo militantes de um movimento que provoca inúmeras discussões e é vítima de preconceito, a sociedade passaria a olhá-los com menos preconceito. É como se eles recebessem uma dose extra de dignidade, de brasilidade. Não sei explicar, mas enxerguei isso.
Nas entrevistas que fiz, isso ficou mais evidente. Se não é fácil estudar em uma universidade pública, com sua estrutura deficiente, imagine para essas pessoas que enfrentaram e quebraram barreiras superiores as que nós, também universitários, enfrentamos diariamente nas aulas: desde liminares que proíbiram as aulas por meses, a condições adversas nas salas de aulas e ao custo que, mesmo sendo a UFS uma instituição pública, implica.
O auditório da reitoria estava lotado. Gente de todos os lugares, inclusive jornalistas. Pelo número de profissionais que estavam lá, a cerimônia foi um dos eventos mais importantes ocorridos no Estado durante esta semana (além da morte repentina do prefeito da cidade em que vivo).
E eu lá. Mesmo sendo um 'reles' estagiário, buscando o mesmo ângulo do governador, ou do reitor, ou até mesmo do representante do MST (figuras proeminentes daquela sessão) para registrar e pôr na matéria. Buscando entrevistar pessoas e 'pescar' declarações para enriquecer o texto. A mesma euforia que eu sentia, percebi em repórteres e fotógrafos já conhecidos, de vários veículos.
"É isso mesmo que eu quero fazer!", pensei. Tudo aquilo mexeu comigo. Minha vontade era de correr para a redação e escrever tudo, o mais rápido possível, e pautar os veículos que não estavam presentes. Nada tão vaidoso! (risos)
No fim de tudo, perceber que o que fiz valeu a pena, que ficou bom, e que fiz por prazer, por que queria estar ali. É mais que animador. Espero que essas sensações despertem o gosto pelo jornalismo, e que, no fim, meu diploma valha alguma coisa.
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